Nos termos da nova licença da SOGILUB, deve ser apresentado à Agência Portuguesa do Ambiente, I.P. (APA), e à Direção-Geral da Economia (DGE), até 12 meses após a publicação da licença, um estudo que avalie o Lead Time, ou seja, o intervalo de tempo entre a colocação de um óleo lubrificante novo no mercado e a sua transformação em óleo usado após a utilização, permitindo relacionar as quantidades comercializadas com as quantidades de resíduo que entram no Sistema Integrado de Gestão de Óleos Usados (SIGOU). A fig. 1 ilustra as etapas do ciclo de vida abrangidas pelo Lead Time do modelo route-to-market.
Figura 1. Estruturação do modelo route-to-market com base na informação apurada no benchmarking.
O Lead Time (LT) é um dos parâmetros fundamentais utilizados pela SOGILUB para estimar a quantidade de óleos lubrificantes usados gerados em cada ano, tendo em consideração os óleos novos colocados no mercado em período anterior, sendo relevante para a aferição das metas de recolha e de valorização no SIGOU. Neste contexto, é elaborado o Estudo de Avaliação da Diferença Temporal entre a Colocação no Mercado de um Determinado Óleo Novo e a sua Transformação em Óleo Usado – Lead Time.
Com o objetivo de desenvolver o cálculo deste parâmetro para o novo período de licenciamento da SOGILUB, o estudo foi estruturado em duas fases principais:
- Definição da metodologia e das bases de cálculo, através da realização de um benchmarking internacional sobre as metodologias e os valores de Lead Time adotados em países europeus de referência, como França, Espanha e Itália, bem como da definição da abordagem metodológica a aplicar pela SOGILUB no âmbito da nova licença;
- Desenvolvimento do modelo de cálculo e apuramento do Lead Time médio, compreendendo o cálculo do Lead Time atual e uma análise prospetiva, baseada em diferentes cenários, da sua evolução ao longo do horizonte temporal da licença, até 2035.
Figura 2. Metodologia de cálculo do lead time da SOGILUB
A revisão da literatura, o benchmarking internacional e as consultas realizadas junto de entidades gestoras e de diferentes stakeholders da cadeia de valor permitiram reunir informação técnica sobre os fatores que influenciam o Lead Time e caracterizar as diferentes etapas do ciclo de vida dos óleos lubrificantes. O estudo evidenciou a elevada variabilidade deste parâmetro, particularmente nos lubrificantes industriais, cuja utilização depende das características específicas de cada aplicação.
Segundo informação partilhada pelas entidades gestoras congéneres durante as entrevistas, o desfasamento temporal entre a colocação de ON e a sua geração como OU na sua atividade é um intervalo de tempo extremamente variável e difícil de prever, podendo variar com o tipo, dosagem, comportamento do consumidor e contexto do país. Foi desenvolvida uma abordagem metodológica adaptada à realidade nacional e à evolução expectável do mercado, criando as bases para a aplicação do Lead Time no horizonte temporal da nova licença da SOGILUB e reforçando a robustez das estimativas do potencial de recolha de óleos usados no SIGOU.
Os fatores de ponderação, que traduzem a representatividade de cada óleo no mercado, são fatores comuns no cálculo do Lead Time e do Fator Ponderal e foram abordados de forma semelhante, refletindo o eventual peso da eletrificação da frota automóvel. Reforça-se ainda que se deve manter a vigilância sobre a evolução dos parâmetros, em especial da representatividade dos segmentos automóvel e industrial, e avaliar eventuais impactes sobre o valor do Lead Time.
