O segundo trimestre de 2026 ficou marcado por uma realidade paradoxal: por um lado, um contexto geopolítico internacional particularmente exigente, marcado pela continuação da guerra na Ucrânia e pela escalada das tensões no Médio Oriente; por outro, uma economia portuguesa que continua a demonstrar notável resiliência, sustentada pela robustez do mercado de trabalho, pelo investimento apoiado pelos fundos europeus e por um consumo privado ainda dinâmico.
Apesar das perturbações nos mercados energéticos internacionais e do aumento da incerteza económica, Portugal manteve uma trajetória de crescimento moderado em 2026, com previsões de expansão do PIB entre 1,7% e 1,8%. O impacto do aumento dos preços da energia, associado aos conflitos internacionais, continua a ser um fator de pressão sobre empresas e famílias, mas a economia nacional tem demonstrado uma capacidade de adaptação superior à observada em crises anteriores.
Também o mercado automóvel português, que representa cerca de 72% do óleo sujeito a ecovalor, apresentou um desempenho muito positivo durante o primeiro semestre do ano. As matrículas de veículos ligeiros cresceram cerca de 10% face ao período homólogo, refletindo a confiança dos consumidores e das empresas e confirmando o dinamismo de um setor que continua a ser um importante motor da atividade económica nacional. A crescente eletrificação do parque automóvel (cerca de 25,3% das novas matrículas) constitui igualmente um sinal de transformação estrutural e de alinhamento com os objetivos de sustentabilidade.
É neste contexto que os resultados da Sogilub no segundo trimestre de 2026 assumem particular relevância.
O mercado de óleos novos sujeitos a ecovalor no 2º trimestre do ano atingiu 18.707 toneladas, registando um crescimento de cerca de 17% face ao período homólogo de 2025. Por sua vez, o mercado global alcançou 22.206 toneladas, mais 8% do que no mesmo período do ano anterior. Estes indicadores evidenciam o dinamismo da atividade económica e da mobilidade, em linha com a evolução favorável do setor automóvel e dos setores produtivos que utilizam lubrificantes.
Igualmente encorajadores são os resultados alcançados ao nível da gestão do ciclo de vida dos óleos usados. A recolha totalizou 7.749 toneladas, representando um crescimento de cerca de 3% face ao período homólogo. Já as vendas para valorização atingiram 7.432 toneladas, um aumento expressivo de 14%, demonstrando a eficácia crescente do sistema e o compromisso dos seus parceiros.
Destaca-se particularmente o crescimento da regeneração, que atingiu 6.124 toneladas (+11%), reforçando o papel da economia circular através da reincorporação destes materiais em novos ciclos produtivos. Simultaneamente, a reciclagem registou um aumento de 26%, alcançando 1.308 toneladas, confirmando que os óleos usados continuam a ser um recurso valioso quando corretamente encaminhados.
Num cenário internacional onde os conflitos continuam a pressionar os preços da energia, das matérias-primas e das cadeias logísticas globais, a valorização dos recursos disponíveis assume uma importância estratégica acrescida. A regeneração e a reciclagem de óleos usados permitem reduzir a dependência de matérias-primas virgens, melhorar a eficiência dos recursos e contribuir para uma maior resiliência económica e ambiental.
Os resultados alcançados pela Sogilub no segundo trimestre de 2026 demonstram que é possível crescer e gerar valor mesmo em períodos de elevada incerteza. São igualmente a prova do empenho dos produtores, operadores de recolha, regeneradores, recicladores e demais parceiros que diariamente contribuem para o sucesso do Sistema Integrado de Gestão de Óleos Usados.
Num momento em que os desafios globais se multiplicam, a Sogilub continuará a afirmar-se como um agente de sustentabilidade, promovendo a circularidade dos recursos, reforçando a proteção ambiental e contribuindo para uma economia nacional mais eficiente, competitiva e resiliente.
