Síntese: Primeiro Trimestre de 2026 marcado por intempéries e conflitos bélicos

No primeiro trimestre do ano, Portugal foi fortemente afetado por fenómenos meteorológicos extremos, com impactos humanos, económicos, infraestruturais e ambientais relevantes. Chuvas intensas, tempestades e um “comboio de depressões” que provocaram ventos muito fortes e episódios de ciclogénese explosiva, causando vítimas mortais, centenas de desalojados e milhares de ocorrências, que levaram à declaração de estado de calamidade em dezenas de municípios, sobretudo na Região Centro, causaram danos extensos em infraestruturas  e interrupções de atividade em milhares de empresas (indústria, comércio, logística, turismo e agricultura), levando a uma quebra da receita fiscal e penalizando o crescimento do 1.º trimestre.

Ainda assim, no primeiro trimestre de 2026, a economia portuguesa apresentou um comportamento misto. Em termos homólogos, o PIB cresceu 2,3%, refletindo um nível de atividade superior ao do mesmo período de 2025. No entanto, na comparação em cadeia (face ao 4.º trimestre de 2025), a economia estagnou, sinalizando um abrandamento no arranque do ano.

O crescimento foi sustentado sobretudo pela procura interna, em particular pelo investimento, que registou uma aceleração significativa, associada ao investimento empresarial e público. Em contraste, o consumo privado desacelerou, condicionado pela perda de poder de compra das famílias e pelo aumento da incerteza económica.

Ao nível dos preços, a inflação manteve-se relativamente controlada no trimestre, mas com renovadas pressões nos preços da energia, resultantes da instabilidade geopolítica no Médio Oriente. O conflito no Médio Oriente teve efeitos profundos, sobretudo pelo lado dos custos, abastecimento e volatilidade, mais do que pela destruição imediata da procura.

O Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 25% do petróleo transportado por via marítima, sofreu fortes restrições, causando a maior disrupção histórica no fornecimento de petróleo. A oferta global de óleos base caiu drasticamente, afetando diretamente a produção de lubrificantes na Europa, que registaram aumentos significativos. Além dos óleos base, houve escassez de aditivos, como melhoradores de índice de viscosidade e antioxidantes, devido à disrupção das cadeias petroquímicas, e ao aumento dos custos de frete e seguros marítimos. A curto prazo esta conjuntura irá afetar a venda do óleo usado pré-tratado para regeneração e reciclagem, influenciando de uma maneira efetiva os resultados da Sogilub para 2026.

Apesar dos constrangimentos referidos, o mercado global de lubrificantes no 1.º trimestre deste ano situou-se nas 22.948 toneladas (cerca de 13% acima do período homologo – 20.336 t), e o mercado de óleos novos sujeitos ao pagamento de Ecovalor nas 18.580 toneladas (cerca de 12% acima do período homologo – 16.577 t)

A quantidade de óleos lubrificantes usados recolhida situou-se nas 8.028 toneladas (cerca de 1% acima do PH – 7.946 t), que permitiram a valorização de 6.900 toneladas (semelhante ao PH – 6.955 t), das quais 5.532 toneladas (cerca de 3% abaixo do PH – 5.702t) foram enviadas para regeneração, destino prioritário na hierarquia dos óleos usados, e 1.368 toneladas (cerca de 1% acima do PH – 1.253) para reciclagem.

Embora todos os nossos indicadores sejam positivos e nos indiquem que estamos no bom caminho, estamos conscientes de que o nosso sucesso depende da nossa capacidade de melhorar constantemente e de ultrapassar os nossos desafios.

Um dos maiores desafios com que nos temos deparado ao longo dos mais de 20 anos de atividade, quer em termos de Segurança, tanto física como ambiental, e fundamental para a melhoria operacional e otimização do processo de recolha e tratamento destes resíduos, é o armazenamento.

Daí que, reforçando a importância da correta segregação, acondicionamento dos óleos usados e sensibilização dos produtores de óleos usados, garantindo conformidade com a legislação ambiental, e conscientes das dificuldades de alguns Produtores de Óleos Lubrificantes Usados em se munirem de reservatórios adequados e de informação ambiental atualizada, a Sogilub tenha dado início à “OPERAÇÃO OLEÃO”, programa através do qual se irão distribuir oleões para armazenamento de Óleos Lubrificantes Usados juntando ações de sensibilização e educação, por alguns Produtores que satisfaçam um conjunto de critérios estabelecidos, começando pelos que se encontram em zonas afetadas pelas tempestades/intempéries que assolaram violentamente o nosso país e tantos danos causaram.